Amanda da Conceição Santos tinha apenas 12 anos. Sua rotina era sempre a mesma, na cidade de Petrolina, Sertão de Pernambuco, na divisa com a Bahia. De manhã ela ia à escola. De tarde, ajudar a sua mãe Maria Valdeci Barros com os afazeres domésticos e alguns cuidados com o seu irmão mais novo de onze anos. Uma típica família humilde de cidade do interior. O pai, Arnaldo dos Santos, não vivia mais em casa e morava com sua nova companheira, na mesma cidade. A relação deles era a melhor possível. Apesar da separação, Seu Arnaldo sempre foi um pai presente e trabalhador.
Essa rotina começou a mudar quando Amanda passou a sentir algumas dores nas pernas, em suas idas e vindas à Escola Santa Terezinha. Era janeiro de 2010. A mãe estranhava a situação, pois sabia que a filha sempre fazia tudo o que todas as crianças normais faziam: pulava, brincava, corria e nunca tinha sentido nada. As dores aumentaram e a preocupação da família também. Amanda já não dormia direito a noite por causa das dores, que só fazia crescer. Valdeci sempre perguntava se a filha tinha se machucado na escola ou brincando na rua com os amigos. A resposta era sempre a mesma. Um simples “não”.
Quatro dias depois das dores de Amanda piorar, Valdeci entrou em contato com Seu Arnaldo e informou a situação. A preocupação do pai foi instantânea. No dia seguinte, Valdeci levou Amanda para o Posto de Saúde mais próximo da sua casa. Pegou uma ficha para marcar a consulta, mas se deparou com a primeira surpresa desagradável desse drama. O Posto de Saúde não tinha ortopedista.
A alternativa agora era tentar marcar uma consulta no Hospital Dom Malan, no centro de Petrolina. Por ser o mais equipado da região, o Hospital bebe da mesma água da saúde pública e sofre com os mesmos problemas. A consulta só conseguiu ser marcada para o mês de julho de 2010. Seis meses depois das queixas da pequena Amanda. Atormentado com a situação, Seu Arnaldo entrou em contato com alguns de seus amigos médicos e agilizou o processo. Amanda seria atendida imediatamente, no mesmo mês, em janeiro.
No dia marcado com o ortopedista, Seu Arnaldo levou Amanda ao Dom Malan. O médico a encaminhou para sala de raio “X”. Minutos depois, Seu Arnaldo receberia a pior notícia da sua vida: Amanda estava com um tumor no osso da perna.
- Olha, pai. Não tenho boas notícias. Infelizmente, estamos suspeitando que Amanda esteja com um tumor ósseo. E tudo indica que seja maligno.
Seu Arnaldo saiu de dentro do consultório arrasado. Ligou, imediatamente, para Valdeci e deu a notícia. Do outro lado da linha, o chão de Valdeci parecia ter sumido. Nunca aquela mulher de 40 anos recebeu uma notícia tão catastrófica. A visão escureceu. Valdeci ficou desesperada dentro de casa. A dor que sentia no peito consumia todas as suas forças. Um grito enorme ecoou por todo seu corpo. Sabia que precisava ser forte naquele momento. Precisou de um tempo até se acalmar e assimilar o resultado daquele exame.
Amanda foi encaminhada para o Hospital do Câncer de Pernambuco, no Recife. Fez mais alguns exames para a identificação exata do tumor. Amanda foi internada, rapidamente, para começar as sessões de quimioterapia. O encaminhamento para ser albergada no Nacc veio logo depois. A família era toda de Petrolina. Não tinham condições de pagar o transporte para o tratamento dela na capital.
Quando eu falo que no "chão" da sociedade estão as principais celebridades da vida, muitos fazem cara de pouco caso.
ResponderExcluirO que seria do mundo sem pessoas como Amanda?
O que seria do mundo sem pessoas como Mulher Melância?
Amanda tem identidade e tem história. Amanda tem ensinamento... Obrigado, Amanda!
Obrigado Dango por mostrar Amanda para o mundo!
Giovanni Romão - Gigio