O telefone toca na sala de Gislene, em maio de 2010. Era a recepcionista:
- Saiu uma mãe aqui para fumar, mas eu vi ela se dirigindo para o lado do Parque da Jaqueira, acompanhada de um rapaz.
- Mande o porteiro ir, imediatamente, atrás dela, porque ela não tem autorização de sair. – falou isso quase gritando, devido ao susto que tinha levado.
O porteiro foi atrás, mas sem sucesso. Quando retornou ao Nacc, Gislene já estava na recepção e recebeu a notícias que ele não tinha a encontrado. Foi até o Parque da Jaqueira e nada. Para uma mãe sair da instituição para fumar, é preciso mostrar uma requisição na recepção, preenchida pelo serviço social. Isso passou a ser regra no Núcleo desde quando um doador viu uma mãe com o filho nos braços, no subsolo, fumando. Antigamente, era lá o fumódromo. Ele era um contribuinte assíduo da entidade e se queixou da situação diretamente para diretoria.
A mãe fugitiva foi questionada na recepção pela requisição. Procurou o papel nos bolsos e disse que tinha perdido. Como a recepcionista sabia que ela era fumante, liberou. E deu no que deu. Não restava fazer mais nada, só esperar. E todos esperaram 40 minutos. Antes disso, a filha da fumante foi lá na sala do serviço social perguntar pela mãe. Recebeu a resposta que ela tinha ido fumar e já estava voltando. Quando chegou novamente no Nacc, direto para sala de Gislene:
- Mãe, pelo amor de Deus. Faz 40 minutos que você saiu do Nacc dizendo que ia fumar. Você estava aonde? – Gislene estava preocupada e o tom de voz era firme.
- Eu fui comprar cigarro, mas...
- E o rapaz que estava com você? – interrompendo.
- Era um amigo.
- Amigo de onde?
- Do IMIP. – se sentindo acuada.
- Funcionário?
- Sim. Ele trabalha na lavanderia do IMIP.
- Eu vou cevar o seu caso para o IMIP e saiba que, a partir de hoje, ele nunca mais coloca os pés aqui no Nacc.
O caso foi levado ao hospital, através de um relatório de ocorrência, porque ela tinha infringido uma norma. Uma vez no Nacc, a responsabilidade de qualquer coisa que aconteça passa a ser da instituição. A mãe levou uma bronca daquelas, mas em consenso, as assistentes sociais preferiam deixar que ela continuasse acompanhando a filha, pois a garota estava muito debilitada.
Depois que foi criada a requisição para as fumantes, houve um decréscimo perceptível na quantidade de cigarros fumados por dia. É o lado positivo. Muitas acabam desistindo de fumar só em pensar em ter que solicitar o requerimento, esperar o preenchimento, subir para o quarto para deixar a bata, pedir para alguma mãe ficar com o filho enquanto ela fuma e por aí vai. Sem contar que muitas têm medo de ir para rua porque não conhecem nada, afinal são do interior. Muitas mães solicitam idas ao supermercado para comprar objetos pessoais ou outras necessidades que não possuem no Nacc. Como era de se esperar, foi criada outra requisição. A permissão vale apenas para um supermercado – que fica quase de esquina com a instituição e não é dada por qualquer razão, muitas são barradas.
- Gislene, preciso ir ao supermercado.
- Comprar o que, mãe?
- Shampoo.
- Shampoo? Tem shampoo no Nacc. Não vai!
Nacc - 25 anos de luta contra o câncer
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
DIÁRIO DE BORDO: 15 anos de Valderice
Ainda era tarde quando recebi a ligação da coordenadora de eventos do Nacc, Cristhiane Campos, me convidando para ir, no final da tarde, para a comemoração dos 15 anos de Valderice. Era 10 de setembro de 2010. Aceitei na hora e já peguei algumas informações de como seria a festa. Uma voluntária do setor de Serviço Social deu essa festa para a menina. Arcou com tudo. Um ato bem solidário, diga-se de passagem. Eu sentia que por trás desse ato de oferecer uma festa de 15 anos, devia ter uma história bastante comovente.
Quando o táxi parou na frente do Nacc, já escutei o som antes mesmo de abrir o portão. Passei pela recepção, cumprimentei algumas pessoas que estavam ali e fui em direção as escadas. A festa estava rolando no salão G, um andar abaixo do setor de eventos. Subi direto para o setor de eventos, que era no segundo andar. Conversei um pouco com Cristhiane e com a nutricionista do Nacc, que estava na sala para chegar os e-mails. Desci para o salão G e me deparei com uma verdadeira boate. Matinê. Sem álcool, claro.
Havia muitas crianças no meio do salão, dançando, pulando, correndo. Foi montado um painel de bexigas rosa e lilás que atravessava todo o salão e ficava por trás das mesas do bolo, dos doces, das comidas e das bebidas. Do meu lado esquerdo estavam a cabine do DJ e o jogo de luz. As luzes do salão estavam todas apagadas. A iluminação ficava por conta dos raios lasers e holofotes coloridos de luz que cruzava uma ponta a outra do salão.
Logo reconheci alguns funcionários do Nacc. Arrumei um cantinho para ficar só observando a movimentação da festa. Tentei ser bem discreto. É impossível entrar no Nacc com um bloquinho e uma caneta na mão sem ser percebido. Valderice cruzou na minha frente e sorriu. Parou e soltou:
- Eu acho que eu conheço você de algum lugar.
E conhecia. Uma semana antes eu tinha entrevistado a mãe dela para apurar informações para este livro. Retribui o sorriso e refresquei a memória dela. Tiramos uma foto do celular de Cristhiane. Alguns convidados permaneciam sentados nas cadeiras espalhadas pelo local. Mas o centro do salão era o lugar que estava fervendo. A voluntária que deu a festa, Catarina Rossiter, não parava quieta. Eu já conhecia a fama dela de animada. Naquele dia, ela estava mais ainda. Tirava foto com a criançada, puxava, beijava, abraçada. Do meio do salão surgiu a mãe da aniversariante, Maria José. Quando me viu, veio em minha direção e me cumprimentou. Não precisou relembrá-la que na semana passada eu tinha entrevistado ela. Certamente, ela se recordou.
Quem estava adorando a festança eram as acompanhantes das crianças. A maioria era mãe. No Nacc, as regras são muito rigorosas. E com necessidade. As mães não podem sair a hora que querem. Um programa para esticar a noite como barzinho e shows, nem pensar. Então, aquela era a hora que elas tinham para extravasar. De fato, na festa de Valderice, elas se divertiram mais do que as crianças. Do swing ao forró, dançavam tudo.
- Catarina! – gritei.
Ela escutou e eu acenei com a mão a chamando para uma conversinha rápida. Veio toda sorridente como de praxe.
- Então quer dizer que você é a promoter da balada de hoje?
- Hahaha! Gostasse? Deu um trabalhão.
Ficamos conversando cerca de uns dez minutos. Ela é voluntária da instituição há um ano e meio e me contou a saga daquela festa. Quando Valderice teve a recaída e o câncer apareceu no pulmão, certo dia, conversando com Catarina, segurou na mão dela e disse: “Eu estou com medo de morrer”. Catarina logo tratou de tirar aquilo da cabeça da menina. Valderice parecia ter perdido esse medo, pelo menos naquele momento. Mas a situação piorou dias depois. No dia 2 de agosto de 2010, data do aniversário de 15 anos de Valderice, ela teve uma crise de choro e conversando com Catarina, desabafou:
- Eu desisto. É melhor morrer. Eu prefiro morrer a passar por tudo isso de novo. Eu não aguento mais.
- Shhh! Não repita mais isso. Você não pode desistir. Você num já lutou uma vez? Então, lute de novo. Lute quantas vezes for preciso. Muita gente te ama. Nós sempre vamos estar ao seu lado.
- Eu não consigo mais. Não tenho mais forças.
Valderice estava há dias sem comer nada. Estava devastada pela doença. A sua festa, que até então seria surpresa, teve que ser anunciada. Foi a única maneira que passou pela cabeça de Catarina, naquela hora, para tentar dar um chá de ânimo na menina.
- Você não pode desistir. Você vai comemorar seu aniversário de 15 anos aqui no Nacc. Eu já estou comprando tudo.
Qual menina nunca sonhou em comemorar seus 15 anos em alto estilo? Valderice ficou paralisada com a notícia. Parecia não acreditar. Mas era verdade. No mesmo dia, Catarina conseguiu fazer com que ela tomasse um copo de suco. Era o máximo que se poderia fazer. Os dias se passaram e Valderice foi se animando com a festa. Provou vestido, sandália. A ideia de Catarina era fazer a festa no dia do aniversário, mas não deu porque Valderice ainda estava fraca devido ao transplante. A tentativa de antecipar a surpresa da festa deu certo. Ela parecia estar vivendo uma nova vida.
A festa continuava na maior animação. A música continuava rolando solta e o salão estava cheio. O jantar foi servido na hora programada. No Nacc, todas as refeições têm que ser servidas nos seus horários corretos. Faz parte do tratamento do câncer uma boa alimentação.
Antes de cantar os Parabéns, ainda conversei um pouco mais com Valderice:
- E aí, Valderice. Gostando da festa?
- Muito! Isso aqui é um momento único na minha vida. Infelizmente, não deu para todos estarem aqui, mas eu estou muito feliz.
- Quem não pode vir? A família de Garanhuns?
- Sim. Estava tudo certo já com o ônibus da Prefeitura para eles virem, mas o ônibus ia voltar para lá às 17h. Bem na hora que a festa ia começar aqui. Aí nem deu.
- Pessoal, está na hora de cantar os Parabéns! – Catarina gritou no meio do salão, interrompendo a conversa.
Era o que estava faltando para coroar a festa. Antes dos Parabéns, o ritual de puxar as fitinhas. Valderice puxou a fitinha do centro do bolo. Foram improvisadas 12 daminhas de honra, com mais Maria José, que puxou duas fitas, representando as suas outras duas filhas. Ela que ganhou o primeiro pedaço do bolo, como era de se esperar. Todos começaram a pegar suas fatias, enquanto eu continuava com meu bloquinho na mão, muito concentrado e observando tudo. Alguém bateu nos meus ombros. Era Valderice que estava segurando um prato com um pedaço de bolo e um copo de refrigerante para mim. O gesto me desarmou. Deixei o papel e a caneta do lado e abracei a aniversariante como forma de agradecimento.
Quando o táxi parou na frente do Nacc, já escutei o som antes mesmo de abrir o portão. Passei pela recepção, cumprimentei algumas pessoas que estavam ali e fui em direção as escadas. A festa estava rolando no salão G, um andar abaixo do setor de eventos. Subi direto para o setor de eventos, que era no segundo andar. Conversei um pouco com Cristhiane e com a nutricionista do Nacc, que estava na sala para chegar os e-mails. Desci para o salão G e me deparei com uma verdadeira boate. Matinê. Sem álcool, claro.
Havia muitas crianças no meio do salão, dançando, pulando, correndo. Foi montado um painel de bexigas rosa e lilás que atravessava todo o salão e ficava por trás das mesas do bolo, dos doces, das comidas e das bebidas. Do meu lado esquerdo estavam a cabine do DJ e o jogo de luz. As luzes do salão estavam todas apagadas. A iluminação ficava por conta dos raios lasers e holofotes coloridos de luz que cruzava uma ponta a outra do salão.
Logo reconheci alguns funcionários do Nacc. Arrumei um cantinho para ficar só observando a movimentação da festa. Tentei ser bem discreto. É impossível entrar no Nacc com um bloquinho e uma caneta na mão sem ser percebido. Valderice cruzou na minha frente e sorriu. Parou e soltou:
- Eu acho que eu conheço você de algum lugar.
E conhecia. Uma semana antes eu tinha entrevistado a mãe dela para apurar informações para este livro. Retribui o sorriso e refresquei a memória dela. Tiramos uma foto do celular de Cristhiane. Alguns convidados permaneciam sentados nas cadeiras espalhadas pelo local. Mas o centro do salão era o lugar que estava fervendo. A voluntária que deu a festa, Catarina Rossiter, não parava quieta. Eu já conhecia a fama dela de animada. Naquele dia, ela estava mais ainda. Tirava foto com a criançada, puxava, beijava, abraçada. Do meio do salão surgiu a mãe da aniversariante, Maria José. Quando me viu, veio em minha direção e me cumprimentou. Não precisou relembrá-la que na semana passada eu tinha entrevistado ela. Certamente, ela se recordou.
Quem estava adorando a festança eram as acompanhantes das crianças. A maioria era mãe. No Nacc, as regras são muito rigorosas. E com necessidade. As mães não podem sair a hora que querem. Um programa para esticar a noite como barzinho e shows, nem pensar. Então, aquela era a hora que elas tinham para extravasar. De fato, na festa de Valderice, elas se divertiram mais do que as crianças. Do swing ao forró, dançavam tudo.
- Catarina! – gritei.
Ela escutou e eu acenei com a mão a chamando para uma conversinha rápida. Veio toda sorridente como de praxe.
- Então quer dizer que você é a promoter da balada de hoje?
- Hahaha! Gostasse? Deu um trabalhão.
Ficamos conversando cerca de uns dez minutos. Ela é voluntária da instituição há um ano e meio e me contou a saga daquela festa. Quando Valderice teve a recaída e o câncer apareceu no pulmão, certo dia, conversando com Catarina, segurou na mão dela e disse: “Eu estou com medo de morrer”. Catarina logo tratou de tirar aquilo da cabeça da menina. Valderice parecia ter perdido esse medo, pelo menos naquele momento. Mas a situação piorou dias depois. No dia 2 de agosto de 2010, data do aniversário de 15 anos de Valderice, ela teve uma crise de choro e conversando com Catarina, desabafou:
- Eu desisto. É melhor morrer. Eu prefiro morrer a passar por tudo isso de novo. Eu não aguento mais.
- Shhh! Não repita mais isso. Você não pode desistir. Você num já lutou uma vez? Então, lute de novo. Lute quantas vezes for preciso. Muita gente te ama. Nós sempre vamos estar ao seu lado.
- Eu não consigo mais. Não tenho mais forças.
Valderice estava há dias sem comer nada. Estava devastada pela doença. A sua festa, que até então seria surpresa, teve que ser anunciada. Foi a única maneira que passou pela cabeça de Catarina, naquela hora, para tentar dar um chá de ânimo na menina.
- Você não pode desistir. Você vai comemorar seu aniversário de 15 anos aqui no Nacc. Eu já estou comprando tudo.
Qual menina nunca sonhou em comemorar seus 15 anos em alto estilo? Valderice ficou paralisada com a notícia. Parecia não acreditar. Mas era verdade. No mesmo dia, Catarina conseguiu fazer com que ela tomasse um copo de suco. Era o máximo que se poderia fazer. Os dias se passaram e Valderice foi se animando com a festa. Provou vestido, sandália. A ideia de Catarina era fazer a festa no dia do aniversário, mas não deu porque Valderice ainda estava fraca devido ao transplante. A tentativa de antecipar a surpresa da festa deu certo. Ela parecia estar vivendo uma nova vida.
A festa continuava na maior animação. A música continuava rolando solta e o salão estava cheio. O jantar foi servido na hora programada. No Nacc, todas as refeições têm que ser servidas nos seus horários corretos. Faz parte do tratamento do câncer uma boa alimentação.
Antes de cantar os Parabéns, ainda conversei um pouco mais com Valderice:
- E aí, Valderice. Gostando da festa?
- Muito! Isso aqui é um momento único na minha vida. Infelizmente, não deu para todos estarem aqui, mas eu estou muito feliz.
- Quem não pode vir? A família de Garanhuns?
- Sim. Estava tudo certo já com o ônibus da Prefeitura para eles virem, mas o ônibus ia voltar para lá às 17h. Bem na hora que a festa ia começar aqui. Aí nem deu.
- Pessoal, está na hora de cantar os Parabéns! – Catarina gritou no meio do salão, interrompendo a conversa.
Era o que estava faltando para coroar a festa. Antes dos Parabéns, o ritual de puxar as fitinhas. Valderice puxou a fitinha do centro do bolo. Foram improvisadas 12 daminhas de honra, com mais Maria José, que puxou duas fitas, representando as suas outras duas filhas. Ela que ganhou o primeiro pedaço do bolo, como era de se esperar. Todos começaram a pegar suas fatias, enquanto eu continuava com meu bloquinho na mão, muito concentrado e observando tudo. Alguém bateu nos meus ombros. Era Valderice que estava segurando um prato com um pedaço de bolo e um copo de refrigerante para mim. O gesto me desarmou. Deixei o papel e a caneta do lado e abracei a aniversariante como forma de agradecimento.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Orientações e apurações
Hoje foi dia de orientação. O desespero bateu. Normal a essa altura do campeonato. Você e se pergunta "Será que vai dar tempo?" Recebi um chá de calmante da minha orientadora (Mariana Oliveira). O negócio é que dá tempo sim, mas tem CORRER! Ela disse que é normal essa aflição que estou sentindo.
Então, vamos CORRER...
Assim que cheguei em casa liguei pra uma amiga minha voluntária do Nacc. Roberta me contou uma história de arrepiar. A apuração dessa vez foi por telefone. O caso da vez é o de Kaline. Infelizmente, ela já foi óbito por causa do câncer. Muitos funcionários do Nacc citaram o nome dela em outras entrevistas. É uma história incrível. ELa era de Capoeiras, interior de Pernambuco. A família ainda hoje mora lá.
Por hoje é isso. O final de semana será de muito trabalho.
Então, vamos CORRER...
Assim que cheguei em casa liguei pra uma amiga minha voluntária do Nacc. Roberta me contou uma história de arrepiar. A apuração dessa vez foi por telefone. O caso da vez é o de Kaline. Infelizmente, ela já foi óbito por causa do câncer. Muitos funcionários do Nacc citaram o nome dela em outras entrevistas. É uma história incrível. ELa era de Capoeiras, interior de Pernambuco. A família ainda hoje mora lá.
Por hoje é isso. O final de semana será de muito trabalho.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Mais casos
Na semana passada eu entrevista três mães. Elas moravam em Garanhuns, Exu e São Vicente Férrer. É bom que você conhece cidades que nunca sonhou que existiam.
Dois desses três casos estão curadas. Foi até uma sorte encontrar uma delas aqui. Raquel está curada e só vem no Recife de seis em seis meses fazer exames de rotina. O câncer dela foi no cérebro. Durante as cirurgias que fez, perdeu a visão e retirou uma parte do osso do crânio. Foram 13 cirurgias no total. A mãe dela parece estar bem aliviada, porque a luta contra o câncer foi vencida. Agora ela está na fila de espera de córneas para fazer mais uma cirurgia. Espero que tudo dê certo pra essa família. Raquel é linda.
Valderice está recém transplantada. Se recuperando bem. E Maria José segue na luta contra a doença.
Por hoje é isso.
Dois desses três casos estão curadas. Foi até uma sorte encontrar uma delas aqui. Raquel está curada e só vem no Recife de seis em seis meses fazer exames de rotina. O câncer dela foi no cérebro. Durante as cirurgias que fez, perdeu a visão e retirou uma parte do osso do crânio. Foram 13 cirurgias no total. A mãe dela parece estar bem aliviada, porque a luta contra o câncer foi vencida. Agora ela está na fila de espera de córneas para fazer mais uma cirurgia. Espero que tudo dê certo pra essa família. Raquel é linda.
Valderice está recém transplantada. Se recuperando bem. E Maria José segue na luta contra a doença.
Por hoje é isso.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Entrevista com Guiomar
Ontem eu entrevistei Guiomar, mãe de Laísa, de três anos.
A história dela vai entrar no segundo capítulo sobre Sinais e Sintomas.
Seria clichê dizer que a história é linda.
Laísa é uma menina tocante. Um rosto muito angelical e simpática.
A história é recheada de causas e sentimentos: situação dos hospitais públicos, instinto materno, inocência e por aí vai...
As duas são de Paranatama, há 247km de Recife. Depois de Garanhuns. Estão no Nacc desde 2009 e Laísa responde muito bem ao tratamento.
A história dela vai entrar no segundo capítulo sobre Sinais e Sintomas.
Seria clichê dizer que a história é linda.
Laísa é uma menina tocante. Um rosto muito angelical e simpática.
A história é recheada de causas e sentimentos: situação dos hospitais públicos, instinto materno, inocência e por aí vai...
As duas são de Paranatama, há 247km de Recife. Depois de Garanhuns. Estão no Nacc desde 2009 e Laísa responde muito bem ao tratamento.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Amanda e suas descobertas
Amanda da Conceição Santos tinha apenas 12 anos. Sua rotina era sempre a mesma, na cidade de Petrolina, Sertão de Pernambuco, na divisa com a Bahia. De manhã ela ia à escola. De tarde, ajudar a sua mãe Maria Valdeci Barros com os afazeres domésticos e alguns cuidados com o seu irmão mais novo de onze anos. Uma típica família humilde de cidade do interior. O pai, Arnaldo dos Santos, não vivia mais em casa e morava com sua nova companheira, na mesma cidade. A relação deles era a melhor possível. Apesar da separação, Seu Arnaldo sempre foi um pai presente e trabalhador.
Essa rotina começou a mudar quando Amanda passou a sentir algumas dores nas pernas, em suas idas e vindas à Escola Santa Terezinha. Era janeiro de 2010. A mãe estranhava a situação, pois sabia que a filha sempre fazia tudo o que todas as crianças normais faziam: pulava, brincava, corria e nunca tinha sentido nada. As dores aumentaram e a preocupação da família também. Amanda já não dormia direito a noite por causa das dores, que só fazia crescer. Valdeci sempre perguntava se a filha tinha se machucado na escola ou brincando na rua com os amigos. A resposta era sempre a mesma. Um simples “não”.
Quatro dias depois das dores de Amanda piorar, Valdeci entrou em contato com Seu Arnaldo e informou a situação. A preocupação do pai foi instantânea. No dia seguinte, Valdeci levou Amanda para o Posto de Saúde mais próximo da sua casa. Pegou uma ficha para marcar a consulta, mas se deparou com a primeira surpresa desagradável desse drama. O Posto de Saúde não tinha ortopedista.
A alternativa agora era tentar marcar uma consulta no Hospital Dom Malan, no centro de Petrolina. Por ser o mais equipado da região, o Hospital bebe da mesma água da saúde pública e sofre com os mesmos problemas. A consulta só conseguiu ser marcada para o mês de julho de 2010. Seis meses depois das queixas da pequena Amanda. Atormentado com a situação, Seu Arnaldo entrou em contato com alguns de seus amigos médicos e agilizou o processo. Amanda seria atendida imediatamente, no mesmo mês, em janeiro.
No dia marcado com o ortopedista, Seu Arnaldo levou Amanda ao Dom Malan. O médico a encaminhou para sala de raio “X”. Minutos depois, Seu Arnaldo receberia a pior notícia da sua vida: Amanda estava com um tumor no osso da perna.
- Olha, pai. Não tenho boas notícias. Infelizmente, estamos suspeitando que Amanda esteja com um tumor ósseo. E tudo indica que seja maligno.
Seu Arnaldo saiu de dentro do consultório arrasado. Ligou, imediatamente, para Valdeci e deu a notícia. Do outro lado da linha, o chão de Valdeci parecia ter sumido. Nunca aquela mulher de 40 anos recebeu uma notícia tão catastrófica. A visão escureceu. Valdeci ficou desesperada dentro de casa. A dor que sentia no peito consumia todas as suas forças. Um grito enorme ecoou por todo seu corpo. Sabia que precisava ser forte naquele momento. Precisou de um tempo até se acalmar e assimilar o resultado daquele exame.
Amanda foi encaminhada para o Hospital do Câncer de Pernambuco, no Recife. Fez mais alguns exames para a identificação exata do tumor. Amanda foi internada, rapidamente, para começar as sessões de quimioterapia. O encaminhamento para ser albergada no Nacc veio logo depois. A família era toda de Petrolina. Não tinham condições de pagar o transporte para o tratamento dela na capital.
Essa rotina começou a mudar quando Amanda passou a sentir algumas dores nas pernas, em suas idas e vindas à Escola Santa Terezinha. Era janeiro de 2010. A mãe estranhava a situação, pois sabia que a filha sempre fazia tudo o que todas as crianças normais faziam: pulava, brincava, corria e nunca tinha sentido nada. As dores aumentaram e a preocupação da família também. Amanda já não dormia direito a noite por causa das dores, que só fazia crescer. Valdeci sempre perguntava se a filha tinha se machucado na escola ou brincando na rua com os amigos. A resposta era sempre a mesma. Um simples “não”.
Quatro dias depois das dores de Amanda piorar, Valdeci entrou em contato com Seu Arnaldo e informou a situação. A preocupação do pai foi instantânea. No dia seguinte, Valdeci levou Amanda para o Posto de Saúde mais próximo da sua casa. Pegou uma ficha para marcar a consulta, mas se deparou com a primeira surpresa desagradável desse drama. O Posto de Saúde não tinha ortopedista.
A alternativa agora era tentar marcar uma consulta no Hospital Dom Malan, no centro de Petrolina. Por ser o mais equipado da região, o Hospital bebe da mesma água da saúde pública e sofre com os mesmos problemas. A consulta só conseguiu ser marcada para o mês de julho de 2010. Seis meses depois das queixas da pequena Amanda. Atormentado com a situação, Seu Arnaldo entrou em contato com alguns de seus amigos médicos e agilizou o processo. Amanda seria atendida imediatamente, no mesmo mês, em janeiro.
No dia marcado com o ortopedista, Seu Arnaldo levou Amanda ao Dom Malan. O médico a encaminhou para sala de raio “X”. Minutos depois, Seu Arnaldo receberia a pior notícia da sua vida: Amanda estava com um tumor no osso da perna.
- Olha, pai. Não tenho boas notícias. Infelizmente, estamos suspeitando que Amanda esteja com um tumor ósseo. E tudo indica que seja maligno.
Seu Arnaldo saiu de dentro do consultório arrasado. Ligou, imediatamente, para Valdeci e deu a notícia. Do outro lado da linha, o chão de Valdeci parecia ter sumido. Nunca aquela mulher de 40 anos recebeu uma notícia tão catastrófica. A visão escureceu. Valdeci ficou desesperada dentro de casa. A dor que sentia no peito consumia todas as suas forças. Um grito enorme ecoou por todo seu corpo. Sabia que precisava ser forte naquele momento. Precisou de um tempo até se acalmar e assimilar o resultado daquele exame.
Amanda foi encaminhada para o Hospital do Câncer de Pernambuco, no Recife. Fez mais alguns exames para a identificação exata do tumor. Amanda foi internada, rapidamente, para começar as sessões de quimioterapia. O encaminhamento para ser albergada no Nacc veio logo depois. A família era toda de Petrolina. Não tinham condições de pagar o transporte para o tratamento dela na capital.
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